Ecos do Processo
Esta página reúne os testemunhos de todos os envolvidos neste projeto, pois este espaço, tem como objetivo partilhar as diversas vozes que ecoam desta experiência e evidenciar o seu significado para todos os envolvidos.
Optamos por incluir o feedback da coordenadora e das colaboradoras da instituição, oferecendo diferentes perspetivas sobre o que é trabalhar na CA e também como vêm a nossa atuação e o valor do projeto para a instituição.
Terão também a oportunidade de ouvir a nossa voz, aquilo que três estudantes que desenvolveram um projeto numa instituição de acolhimento temporário de crianças em risco, têm a dizer, apresentando as reflexões sobre o impacto deste processo de aprendizagem nas nossa formação e no desenvolvimento de competências essenciais.

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Coordenadora da CA

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Colaboradora da CA

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Colaboradora da CA

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Caboradora da CA

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Colaboradora da CA

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Colaboradora da CA
O que significou para cada uma de nós, esta viagem?

Confesso que as portas da CA se abriram para mim envoltas numa névoa de insegurança.
O receio de interagir com crianças cujas vidas já carregavam o peso de contextos tão sensíveis pairava, levantando dúvidas sobre a minha capacidade de oferecer o apoio adequado.
Havia um temor em não saber "pisar em ovos", em cometer erros que pudessem, mesmo que involuntariamente, causar algum tipo de desconforto ou mazela.
No entanto, bastou um primeiro olhar, um sorriso tímido, uma mão pequena a procurar a minha, para que essa névoa se dissipasse como fumo.
Conhecer cada criança individualmente, com as suas histórias únicas, os seus talentos e as suas necessidades, transformou radicalmente a minha perspetiva.
A fragilidade inicial deu lugar a uma admiração profunda pela sua resiliência e pela urgência do nosso papel enquanto futuras profissionais de educação.
Compreendi que não somos meras observadoras, mas sim agentes de mudança, capazes de oferecer um porto seguro e oportunidades de crescimento.
Segundo Paulo Freire: " A Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo".
E este percurso foi um mergulho profundo nessa lógica do pensamento. Longe da teoria fria dos livros, vivenciei a complexidade das relações humanas, a importância da escuta ativa, da empatia e da construção de vínculos de confiança.
Cada interação, cada desafio superado, cada pequeno progresso testemunhado, sedimentou competências fulcrais que dificilmente seriam adquiridas noutro contexto.
Aprendi a "ler" nas entrelinhas, a adaptar estratégias, a trabalhar em equipa e, acima de tudo, a acreditar no potencial de cada criança.
A experiência na CA não foi um estágio curricular, foi uma lição de humanidade, um despertar para a responsabilidade social e uma confirmação da minha vocação na área da educação.
A insegurança inicial transformou-se numa convicção: o nosso papel, por mais desafiador que seja, é fundamental para tecer um futuro mais promissor para estas crianças.
Aprendi que vulnerabilidade não é sinónimo de fragilidade, mas sim um campo fértil para a resiliência e para a emergência de uma força interior surpreendente.
Nesta experiência fui confrontada com a urgência de um olhar atento e de uma escuta genuína, capazes de transformar o silêncio em palavras e a incerteza em esperança.
Desta feita, espero que a educação, enquanto pilar fundamental do desenvolvimento integral abra portas para um futuro de autonomia e realização para todas as partes envolvidas.
Por sua vez, que a inclusão seja uma prática constante, derrubando barreiras e celebrando a singularidade de cada história, pois é na diversidade que encontramos a verdadeira riqueza humana e que a solidariedade guie os nossos passos, lembrando-nos que fazemos parte de uma sociedade onde o bem-estar de um se reflete no bem-estar de todos.
Por fim, mas não menos importante, sejamos a luz que ilumina os seus caminhos, mostrando-lhes que não estão sozinhas e que um futuro mais justo e promissor, não só é possível, como é um direito inalienável.
Ademais, acredito veemente que esta imersão na realidade da CA me servirá como uma bússola ética, guiando as minhas futuras práticas com empatia e uma convicção inabalável de que cada criança, independentemente do seu contexto, merece um presente de oportunidades e um futuro de esperança.
Refletindo acerca de todo o processo e das experiências vivenciadas, resta-me dizer que o meu maior desejo é que sejamos, para cada uma delas, a mão que ampara, o ouvido que escuta e a voz que ecoa os seus direitos.
Diana Nienaber

Desde sempre que o contexto de crianças em risco despertou em mim um vontade por vivenciar esta pequena, mas grandiosa, aventura – pequena no tempo, imensa nas experiências e no conhecimento que dela emergem.
Na fase inicial, confesso que fui inundada por um turbilhão de emoções: uma ansiedade motivada pela expectativa, mas também um receio profundo de não estar à altura das necessidades daquelas crianças.
Numa segunda fase, a definição dos nossos eixos de ação surgiu naturalmente. Assumir que a inteligência emocional se desenvolve continuamente, tal como nós próprios, e talvez pela minha experiência profissional, acredito firmemente que uma criança privada do amor e da proteção devida podem canalizar estas carências em frustrações emocionais. No futuro, esta privação poderá levá-las a erguer defesas quase intransponíveis, isolando-se do mundo que as rodeia e, por vezes, adotando comportamentos de risco com consequências negativas para os próprios e para os outros. Urge, portanto, sabermos todos reconhecer as emoções e desenvolver estratégias eficazes para as gerir.
Para mim, quando penso na infância, uma das coisas que me salta logo à cabeça é o quão crucial é essa fase para aprendermos a sentir. É ali que tudo começa: as primeiras alegrias, as primeiras tristezas... e é tão importante que as crianças tenham amor e apoio nesse processo. Segundo Jean-Jacques Rousseau, a sua filosofia defendia que o ser humano nasce naturalmente bom e puro, sendo a sociedade e as suas instituições que o corrompem. É seguramente um facto verossímil: uma criança é como uma esponja, "absorve" tudo o que lhe é dado, tanto de bom como de mau. Confiam cegamente nos adultos e veem neles os seus portos seguros. Quando uma criança perde a sensação de segurança, algo se quebra, algo se perde: perde-se a ingenuidade, a pureza e a alegria. Por isso é tão desafiante trabalhar com crianças. As crianças em contexto de risco têm como bagagem acrescida a retirada dos seus meios naturais, a perda do papel de filho, do sentimento de pertença e a constante incerteza dos seus futuros.
Será sequer possível sair ileso de uma experiência destas? A resposta é, inequivocamente, não. Foi um percurso lindo, onde o receio de falhar se desvanecia a cada sorriso que me era oferecido por cada criança. Cada abraço e cada partilha que me concediam fortaleciam o propósito da minha intervenção junto das mesmas: a importância da minha escuta ativa, do meu apoio e do afeto que lhes oferecia, permitia que estas crianças pudessem guardar recordações felizes.
Esta intervenção com crianças em casa de acolhimento foi uma jornada de profunda aprendizagem humana. Ganhei uma compreensão mais rica da resiliência infantil, da complexidade emocional, da importância dos vínculos seguros e do impacto da inteligência emocional.
Acima de tudo, sinto uma gratidão imensa pela oportunidade única de poder acompanhar estas pequenas grandes crianças no seu caminho de descoberta emocional. Acredito que esta experiência me transformou profundamente, tanto a nível profissional como, e mais importante, a nível humano.
Perceber que nada se resume à aparência, que tudo tem um contexto, uma razão de ser, e que apoiar e ajudar deveria ser a missão de qualquer ser humano... Ajudar, compreender e não julgar o outro: valores tão essenciais que infelizmente, um tanto perdidos nesta sociedade por vezes tão vazia.
Liliane Fernandes

O estágio na CA foi uma experiência transformadora, que marcou profundamente a minha evolução pessoal e profissional. O projeto, centrado na mediação para promover o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças, permitiu-me compreender a importância de criar espaços seguros e estimulantes para que elas se possam expressar e crescer.
Numa fase inicial, enfrentei desafios interiores, como conseguir gerir as minhas próprias emoções. Estava perante crianças frágeis e com carências afetivas claras que me partiam o coração. Queria trazer cada uma delas para casa e devolver-lhes assim parte do que lhes havia sido roubado - a família.
Outro desafio foi estabelecer a confiança e conexão com as crianças, muitas das quais com traumas e inseguranças que as tornavam mais distantes e resistentes à entrega. Aprendi assim a adaptar a minha abordagem, estabelecendo diálogos empáticos para construir pontes de comunicação, dando-lhes sempre o espaço e tempo necessários.
No que respeita ao eixo do desenvolvimento emocional, percebi como a escuta ativa e a validação de sentimentos são ferramentas poderosas para fortalecer a autoestima e a regulação emocional. Testemunhei momentos em que as crianças passaram a expressar as suas emoções com mais clareza, o que reforçou a minha crença no impacto de intervenções consistentes e afetivas.
No âmbito do desenvolvimento cognitivo, a criação de atividades que estimulassem o raciocínio, a criatividade e a resolução de problemas foi igualmente enriquecedora.
Observar o progresso das crianças em tarefas que exigiam concentração e pensamento crítico evidenciou a importância de oferecer desafios adequados às suas capacidades, incentivando-as a superar as dificuldades. Essas experiências ensinaram-me a planear intervenções com intencionalidade, alinhando os objetivos pedagógicos com as necessidades individuais.
Este projeto também me confrontou com a complexidade de trabalhar para a reintegração familiar ou adoção. Este é um mundo, de facto, extremamente complexo. A mediação com as famílias, quando possível, exige sensibilidade para compreender dinâmicas muitas vezes frágeis, enquanto a preparação das crianças para um futuro junto da própria família ou uma família adotiva reforçou a importância de promover estabilidade emocional e resiliência.
Aprendi que cada pequeno avanço – um sorriso, uma nova habilidade, uma conversa aberta – é um passo em direção ao bem-estar que almejamos para elas.
Lev Vygotsky e a sua teoria sociocultural enfatiza a importância das interações sociais e do ambiente no desenvolvimento cognitivo e emocional, alinhando-se diretamente com as práticas de mediação e criação de espaços seguros para o crescimento das crianças. Destaca o papel do "outro significativo" (como mediadores ou educadores) no estímulo à aprendizagem e à construção de significados, o que ressoa com as atividades lúdicas e diálogos empáticos desenvolvidos ao longo do projeto. Também a sua ideia de Zona de Desenvolvimento Proximal pode ser aplicada ao planeamento de intervenções que respeitem as capacidades atuais das crianças, promovendo avanços graduais rumo ao bem-estar e à reintegração familiar.
Olhando para trás com o olhar de profunda reflexão, fico com a certeza de que evolui na capacidade de conectar a teoria com a prática, de ser flexível diante dos imprevistos e de reconhecer o valor do trabalho em equipa, que nem sempre é fácil, bem como com outros profissionais.
Esta experiência consolidou o meu compromisso com a promoção do desenvolvimento integral de crianças em situações de vulnerabilidade, deixando-me mais preparada para futuros desafios e com a certeza de que o cuidado, a paciência e a empatia são alicerces fundamentais para transformar vidas.
Sandra Vaz
Inspirações teóricas...



"É através dos outros que nos tornamos nós mesmos."
Lev Vygotsky
Esta citação de Vygotsky reflete o cerne do nosso projeto na casa de acolhimento. Através da mediação sociofamiliar e de atividades que promovem o desenvolvimento emocional e cognitivo, criamos pontes para que as crianças construam sua identidade e confiança. Cada diálogo, cada atividade lúdica, foi um passo para apoiá-las rumo a um futuro de bem-estar, seja com suas famílias de origem ou adotivas.
"O homem nasce livre e puro, mas é a sociedade que o corrompe."
Jean-Jacques Rousseau
Também inspiradas por Rousseau, o nosso projeto na casa de acolhimento procurou resgatar a essência pura das crianças, muitas vezes afetada por contextos adversos. Através da mediação sociofamiliar e de atividades que estimularam o desenvolvimento emocional e cognitivo, criamos um ambiente seguro e acolhedor, promovendo o bem-estar e preparando-as para um futuro junto de suas famílias de origem ou adotivas.
" A Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo"
Paulo Freire
Segundo a teoria freiriana, a educação é a ferramenta essencial para despertar consciências, construir valores e capacitar os indivíduos a serem agentes ativos na construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Foi esse o mote do nosso trabalho, planear e implementar atividades que promovessem o desenvolvimento integral das crianças, assente na autonomia, espírito crítico e reflexivo.
Acreditamos que o impacto que exercemos, através da educação, é a semente para a transformação que almejamos ver no mundo.

